outubro 31, 2003

Mudanças

Para iniciar o próximo mês decidi lavar um pouco a face do Chibo. Andei a mexer no Blog e se mérito houve, foi o de ficar a conhecer melhor a mecânica da "coisa".

Publicado por chibovelho em 01:50 AM | Comentários (6) | TrackBack

outubro 30, 2003

BlogSnob

Mention BlogSnob in your next blog entry and encourage people to sign up. If you get more people to sign up for the service, there will be more places for your ad to display.
Ok, já está. Não precisa agradecer.

Publicado por chibovelho em 08:22 PM | Comentários (0) | TrackBack

Vejam bem

Esta letra. Simples. Redonda quanto baste para lançar-se noutros sentidos. O a. Letra simples e chã e intrincadamente arrogante por ser primeira entre primeiras. O a. Chamem por ele quando precisarem e aparecerá sempre. O a.
Fui...

Publicado por chibovelho em 02:20 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 29, 2003

O desplante

Estes dias de suave existência deram para isto. Ainda um pouco perturbado pelas sezões que me percorreram o corpo escrevinhei uns poemitas. Desculpe quem vier mas por estes dias será assim.

-/-

Aconchego e acaricio o olhar.
Canto uma canção de embalar.

E assim, já extasiado
fui entorpecendo...

-/-

O árido homem apregoa
dores que vão no úbere,
gérmens de ódio procria.
Lhe são muito dilectas.

Se não puder, que chore
com blandícia esmaecida
pela potência medíocre.
Imagens nada escassas.

-/-

Brados se levantarão
com ecos apaixonados
contra quem nos diz não
e nos ostenta açaimados.


Já está. Não os incomodo mais. Já me sinto mais leve.

Publicado por chibovelho em 10:49 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 28, 2003

Maldita invernia

Depois de um tempo de doença (literal e também espiritual) regresso para umas marradas. Mas faço-o suavemente, ao ritmo da convalescença, com um poema do Pessoa.

Ennui

Under a low and sullen sky,
Frowned on by lone winds that moan by
And palely sick for light from high
Till the landscape’s soul doth sigh forever,
Forever sigh,
A black and calmness haunted river,
That doth a town from itself sever,
Runs with an inner fear and shiver
Like a dim fate forever nigh,
Nigher forever.

Ay, through that landscape lapsed from dream
Into a horrid truth doth gleam
That self-absorbed, self-empty stream
That bears a dream of dream’s emotion
To emotion’s dream!
Runs from a land whence is no motion
Towards a possible far ocean;
And they, whose eyes anguished sans motion
Bathe in it, take emotion’s dream
For dream’s emotion.

Publicado por chibovelho em 09:12 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 24, 2003

Escandaleira: uma nova escuta deu à costa

Um novo furo foi descoberto no Alentejo, vindo-se a saber depois que continha apenas resíduos de água. Mas mesmo assim foi por causa dele que descobrimos que a Nela Islamita Fedes (NIF) afinal é gerontófila. E sabemo-lo pelas escutas que desencantámos no furo acima desacreditavel, err, queríamos dizer descrito, e cuja fonte não divulgamos. Não e não, escusam de tentar, está bem, passa para cá a massa que depois tratamos disso.
Mas atentemos (esta palavra é lixada mas não é nossa intenção falar de demolições) na escuta, decifrada pelos nossos especialistas Tols (gémeo de Toi) e Castanhal de Árabe:


É notório e agora sabido que Nela Islamita Fedes terá fustigado um idoso de um lar, só não identificado para evitar mais tentativas de inscrições, e que depois de saciada ainda terá dito “por amor de Deus, não vais” quando este disse que se ia embora pois já estava cansado. Mais disse, o que assume maior gravidade e mais um motivo para a manterem encerrada no armário lá de casa, “É grave, muito grave” quando o idoso acima citado não conseguiu completar a primeira. Mais tarde no interrogatório NIF teria ainda comentado com tom sonhador “Havia perseguições”.
Outro dos motivos pelo qual deve permanecer incontactável radica na tentativa de calar a justiça, ao tentar enganá-la, ao afirmar que “estive com o prof. M”. Ora como todos sabemos o Prof M. passa a semana a ler 20 a 30 livros e não tem tempo para mais nada. Quando confrontada com esses factos limitou-se a responder ao seu interlocutor “tudo isso é irrelevante”. Veja-se o calibre de tal escutada quando nos chama a nós, membros, troncos e cabeças desta novela (obrigado Sampaio pelo elogio), “irrelevantes”. Imagine-se, pfff, não queiram lá ver.
Quando instada por um amigo, cuja voz não conhecemos mas que bem pode ser o Monas, sobre o porquê dos idosos a escutada respondeu “São as pressões” revelando mesmo que com o passar do tempo “achas isso normal”. Ainda mais grave quanto a escutada tinha perfeita consciência das escutas, como demonstra pela frase “com estas escutas” e que mais tarde numa outra escuta iria fazer “uma adjectivação pouco simpática aos magistrados”.
Como se vê, uma mulher perigosíssima. Deve ser mantida manietada e amordaçada até que o seu volume verborreico se assemelhe à sua imparcialidade e deontologia.

Publicado por chibovelho em 01:20 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 23, 2003

Silêncio

Nãp me apetece dizer nada. Nem tenho nada para dizer. Mais vale ficar calado do que asnear. Sic volo, sic jubeo!

Publicado por chibovelho em 12:47 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 22, 2003

Como eu me teria criado...

No Ensaio que hoje visitei pela primeira vez tive uma das boas surpresas do dia. Um texto que o Manuel Marques apôs e que considero como uma lição de liberdade, fracasso, sucesso, responsabilidade e principalmente de aprendizagem. Se tiver mais de 30 vai perceber daquilo que falo. Se não, vá na mesma que não se vai arrepender.

Publicado por chibovelho em 01:26 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 21, 2003

Miguel Sousa Tavares

Como sempre um senhor. Doa a quem doer o homem é integro e coerente. E eu, apesar de muitas vezes não concordar com ele, tenho de dar a mão á palmatória porque argumenta com inteligência. A Manuela ficou engraçada com aquela cara feita espanto e a tentativa de escostar o MST à parede foi, além de desesperada, extrememamente ridícula.

P.S. Estou a ver no telejornal 2 o Júdice a dar uma carga à Manuela Moura Guedes (é verdade que sim, foi ameaçado pela TVI sim senhor) e reforça a ideia que o MST me deixou, de coragem. Isto já está a passar os limites...

Publicado por chibovelho em 09:52 PM | Comentários (5) | TrackBack

Aguenta...

Estava-se mesmo a ver. Tinha tudo preparado para uma noite em grande. Os miudos com o banho tomado, a mulher na cama a ver a novela e, melhor que tudo, uma cervejinha geladinha na mão. Estava tudo pronto para começar. Estirou-se no sofá acabadinho de comprar nos saldos, permitiu-se pôr os pés em cima da coberta que a sogra lhes tinha oferecido para os sofás novos, e olhou para a televisão. Aahhh, ia ser uma noite gloriosa esta. Como há muito tempo não tinha. Não lhe viessem falar de sexo numa altura desta. Nem que a boazona do 4º esq lhe aparecesse nua à frente. Não, hoje ia ser uma noite mesmo especial. Se tivesse que haver sexo tentaria acordar a mulher mais tarde. Mas desconfiava que ía ser uma missão inglória. Desde que começou a novela das mulheres apaixonadas que ela anda com uns suspiros estranhos. Mas adiante que atrás vem gente. Bejeca gelada e comando na mão, não existe união mais poderosa ou afrodisíaca que esta. Está na altura. Um arrepio percorre-lhe a espinha enquanto aponta o comando para a televisão, com o aproximar do momento em que o dedo se estica para o botão certo. Nada lhe daria mais gozo. E apertou. Apertou com uma sensação de convulsão orgásmica. OFF. Aahh bendito botão. Pronto. Agora pode cerrar os olhos e deixar as lembranças boas, os sonhos de futuro invadirem o seu cérebro. Porra, até que enfim um pouco de silêncio.

Publicado por chibovelho em 05:29 PM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 19, 2003

As palavras mais indesejadas

Nota: em caso de reclamações dirigir-se aqui.

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“Agora é que me fodeste! Mil cancros me recontrafodam! E se não conseguir sair deste cagalhal vou para a cona da tia num instantinho e não há langonha que resista.” – Não amor! As palavras que escutaste foram as mais indesejadas. O que eu queria dizer era que sim. Caso contigo.

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“Óóhh cum caralho, agora é que tu me fodeste! Rais me fodam se sei sair desta embrulhada! Mil cancros me recontrafodam que esta puta já me tramou a vida! E se não conseguir sair deste cagalhal vou para a cona da tia num instantinho e não há langonha que resista. Puta que pariu, que se saio desta situação nunca mais compro revistas femininas. Mas quem me mandou a mim acreditar naquelas merdas? Quem lhes embrocasse uma piça pela bestunta acima.” – Não amor! As palavras que escutaste foram as mais indesejadas. O que eu queria dizer era que sim. Caso contigo.

Publicado por chibovelho em 10:46 PM | Comentários (4) | TrackBack

Liberdade

Quando comecei este blogue ainda não tinha ideia definida do que iria ser. Ainda hoje não tenho. Umas vezes acordo com uma tristeza e não escrevo. Ou se escrevo faço-o de forma a causar estranheza a mim próprio. Outras vezes acho que estou com uma veia humorística e toca de dar ao dedo como se o amanhã fosse o ontem.
Não tenho portanto, um fio condutor, como tem, por exemplo, a Dona Vi, dona de uma mestria que acho simplesmente genial. Ou do Luís Ene que me faz ter vontade de escrever e tem um blogue sobre literatura e escrita despretensioso e luminoso. Ou ainda o Barnabé que é mesmo diferente dos outros pela sua pluralidade e acerto (eu pelo menos acho) e depositário de uma data de Links que muito aprecio pelo que já me ofereceram.
E todos os outros com quem me divirto e aprendo, feitos por gente com quem estou em desacordo mas que gosto de ler e discordar (e gosto ainda mais quando me permitem discordar) e outros de quem concordo mas permitem discordar um pouco também.
E ainda aqueles que vamos de vez em quando para nos rirmos de tantas parvoíces e dislates que fazem ferver o sangue. Bem, tudo junto, umas belas horas bem passadas a ler, a aprender e a divertir-me.
E, apesar de ter um blogue que precisa de alimento de vez em quando, o melhor dele é que me permitiu descobrir todos os outros. E é isso que faço mais nestes dias. Descobrir.
E nessas alturas não me importo nada de não ter fio condutor. Porque eu conduzo e vou onde quero. Pelo tempo que quero. E com a companhia que desejo. E isto é liberdade!

Publicado por chibovelho em 10:14 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 17, 2003

As Mais Belas Palavras II

A noite escorria pelas ruas sujas. Dos candeeiros caíam pingos de luz amarelada que se enroscavam no corpo amolecido do Inspector Pector.
Pector da parte da mãe que do pai não tinha notícias. Mais propriamente desde a sua concepção. Tinha sido o seu primeiro caso. Ainda hoje fica incomodado com a sua recordação. Não do caso. Do pai. Que nunca conheceu. Mas que lhe dedicou as mais belas palavras que tem memória. De que não se lembra. Mas dedicou. Lembrou-se. De todas. Não. Não eram essas. Essas foram da mãe:
- Áqui em Brágança eu te cobro duzentinho euro, cara!

Publicado por chibovelho em 11:06 PM | Comentários (0) | TrackBack

As Mais Belas Palavras

Andava às voltas na cozinha.
- Mas onde porra estão os guardanapos?
- Estão onde sempre estiveram.
- E onde fica esse lugar eterno?
Começava a ficar enervado. Estavam a chegar e a mesa sem guardanapos.
- Por mim limpavam os beiços às toalhas.
- Não me enerves. Já sabes. Quando fico nervosa só digo…
- Bem sei o que dizes. E como ficas sexy ao dizeres…
- Lá estás tu. Sabes perfeitamente…
- Sei sim. E o público também sabe…
(Virado para a câmara da TVShopys)
- … que com “As Mais Belas Palavras” faz sucesso em qualquer cozinha!

Publicado por chibovelho em 10:44 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 16, 2003

Algumas perguntas (agora mais calmo)

Pediu o Luís Ene e eu achei boa ideia:
Alguém que tenha lido apenas o essencial para aprender a ler e escrever nunca poderia escrever com criatividade?
E quem leu muito e escreveu ainda mais poderá dizer que porventura estará a utilizar a criatividade que já foi de outros?
É preciso um curso para se aprender uma coisa que temos ou não?
Se não temos como adquirimos? Vende-se? Aprende-se?
Ao aprendermos ficamos com a criatividade de quem nos ensinou?
Se não, porque é que tivemos de pagar para ficarmos com uma capacidade que já possuíamos?
- E que é que estou para aqui a escrever?
- Não tens mais nada que fazer?
- Ó amor, não vês que estou a escrever?
- E se viesses antes dar-me prazer?
Fui...

Publicado por chibovelho em 09:06 PM | Comentários (2) | TrackBack

Cães dos infernos!!!

Estou a ouvir o noticiário sobre o próximo Orçamento e mais uma vez quem se **** somos nós! Arre que só apetece gritar. E hoje não me venham falar de défice que me dá uma coisa e junto-me aos estudantes e à desobediência civil.

Esperar para ver...

Publicado por chibovelho em 08:28 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 15, 2003

Pedro Namora

Com a sua posição de santo de pau carunchoso começo a detestar a sua presença nos pequenos ecrãs. Para mim esta personagem faz mais mal à causa dos abusados da casa Pia do que bem.
E cá entre nós que ninguém nos ouve: este senhor diz que não foi abusado e sim que tentaram; será que tentaram mesmo? ou o PN apenas quis apanhar um comboio que lhe assentava como uma luva?
É o que dá aparecer tanto e com tantas opiniões desavindas sobre tudo e todos, que faz começar a desconfiar o mais crédulo dos portugueses.
Em contraponto ao outro casapiano, Adelino Granja, um senhor com dignidade e bom senso.

Publicado por chibovelho em 08:21 PM | Comentários (0) | TrackBack

Continuação "Não Resisto II"

Caro Rui MCB. Apesar de não discordar de si no essencial divergimos no acessório. Mas lembre-se que vivemos numa época em quem manda acredita mais no acessório como cartada a jogar no baralho político e social, e que através disso contorna o essencial e até o modifica.
Eles só entendem a linguagem que utilizam, veja-se o Iraque, "ai não? arrebente-se com essa merda...". Tenho pena que a civilidade não impere e da qual você parece ser um bom exemplo (já agora, fiquei agradado com o seu Adufe, vou lê-lo com mais atenção). Mas na realidade seria esmagado por essa mesma civilidade, pois o prurido que demonstra hoje com as técnicas subversivas dos estudantes (que serão inócuas, você me dirá, que quem ladra não morde)não seria demonstrado pelos implementadores destas propinas em situação contrária.

Publicado por chibovelho em 05:51 PM | Comentários (1) | TrackBack

Leucemia

Não podia deixar de participar neste grande encontro de boas vontades. E que dizer? Simplesmente: estou aqui para o que for preciso. Para ajudar no que for possível.

Publicado por chibovelho em 05:26 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 14, 2003

Não resisti

Estes americanos são loucos!
Eu não percebo muito destas coisas que a minha educação é muito minha e suada, mas pelo pouco inglês que entendo deu para perceber:
1. Que o MIT pode até cortar 4/5 do seu orçamento que mesmo assim sempre é mais do que 4/5 das universidades portuguesas podem deitar a unha;
2. que isto para os americanos do MIT são peanuts e que não há desinvestimento na educação mas sim (e isto aprendi com os "dedireita":) um reajustamento orçamental potenciador de sinergias positivas...
3. Isto de comparar formigas com elefantes faz-me lembrar o combate emtre uma formiga com um elefante, esta subiu para cima do elefante e começou a pular aos gritos da assistência "esmagó, esmagó!". Por amor de Deus, comparar duas realidades que nem nos extremos se tocam? Tenham juízo.

Publicado por chibovelho em 11:52 PM | Comentários (1) | TrackBack

Não resisti II

Mas afinal, pode-se ou não se pode tomar posição neste país? E se for de uma forma radical é mau para quem? Eu já cortei estradas e linhas de comboio e achei que era a única forma viável e aquela que apresentaria os melhores resultados. Pareceu ser assim, mas como somos portugueses fomos (e quisemos ser provavelmente) manietados por juras de amizade e promessas de resolução. E nada.
Porra, eu concordo que haja propinas. E quero que haja justiça (reforma) fiscal para poder fazer os alunos pagar propinas de uma forma justa. E quero que não sejam os pais (cidadãos portugueses já habituados a ser sugados) a arcar com todas as consequências deste país pequeno dirigido por gente ainda mais pequeno (como eu sonho com um país pequeno dirigido por gente grande, seria por fim uma coisa diferente).
E sim, concordo com a desobediência civil como uma das formas de encontrar justiça social. E se nos lembrar-mos bem (e por muito que isto custe a alguns) foi com movimentos de "desobediência civil" que este país pequeno viveu das suas maiores e melhores páginas na história. Et quod scripsi, scripsi.

Publicado por chibovelho em 11:46 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 13, 2003

Ruminações

Estou em fase de reflexão. Pondero este blog. A minha participação. Encerrei para balanço.

Publicado por chibovelho em 11:26 PM | Comentários (2) | TrackBack

outubro 12, 2003

Os distraídos

Mas este país anda tão burro que precisa de comentadores das notícias que acontecem? Serão precisos os “comentadores residentes” para que nos ensinem que livros ler, como interpretar Kafka, explicar os incidentes (não vamos nós estar distraídos) da política nacional e internacional? Mas como é que querem que este país se aproxime dos mais evoluídos da Europa se nos querem com a papinha toda feita? Os portugueses não serão capazes de raciocinar, estabelecer premissas, tirar conclusões? Estaremos nós a chegar ao laxismo último? Ou será (palavra tão em voga) uma “cabala” para nos transformar em seres amorfos e mais facilmente manipuláveis?

Foi você que pediu uma ditadura da “inteligentsia”?

Publicado por chibovelho em 10:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

Canção de Embalar

A névoa invade o olhar
e o fragor das ondas
fraccionam as rochas do sono,
melodia que incompleta o sonhar.

Há preces no quarto.
Atormentam o ocaso dos sentidos.

Os gritos das gaivotas
acalentadas pêlos gemidos
dos cascos que adormecem
embalados por um oceano
que não os deixa partir,
da água que estia a vontade
de nunca mais despertar.

(porque hoje é domingo)

Publicado por chibovelho em 01:42 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 11, 2003

Dia de marradas

Este chibo não aguenta. Vai-me a alma atrás de marradas. E quero dar umas cornadas no Abrupto. Porra que esse gajo, apesar de muito inteligente, por vezes passa das marcas, senão reparem:
"(...)Se há coisa que eu não suporto é essa mentalidade self righteous.(...)" Então não deve suportar ver-se ao espelho.
"(...)Do que eu gosto é da habitual moralidade das pessoas comuns (...) que não andam todos os dias a debitar julgamentos morais sobre tudo e sobre todos.(...)" Ele, está visto, não pertence ao género comum pois faz o contrário daquilo que diz admirar na não elite.
Haja pachorra para quem se nos dirige do alto do púlpito a debitar frases como se nos estivesse a lançar as tábuas da salvação e a aspergir de sabedoria fecunda. E mais, quod scripsi scripsi!

Publicado por chibovelho em 12:37 AM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 10, 2003

Bolas, estava eu tão alegre...

Hoje correu uma lágrima pelas ventas a este chibo. António Lobo Antunes, se continuas a escrever assim peço-te para seres meu psiquiatra. Quebraste-me o sossego deste principio de noite.Visão, assim não vale.

Publicado por chibovelho em 09:05 PM | Comentários (0) | TrackBack

Comoções...

As músicas que mais me comoveram e comovem são muitas. Vou deixar aqui apenas 10 entre muitas mais (obrigado Luis Ene pela ideia).
De uma forma aleatória: Summertime por Billie Holiday, As Time Goes By e My Way por Sinatra, It’s a Wonderfull World por Louis Armstrong, Perdidamente (belo poema da Espanca) pelos Trovante, Stairway to Heaven dos Led Zeppelin, Tarde em Itapoã do Vinicius e Toquinho, With a little help from my friends dos Beatles cantada pela voz rouca do Joe Cocker, Per amore por Andrea Bocceli e Um Homem na Cidade por Carlos do Carmo.

Publicado por chibovelho em 12:43 AM | Comentários (2) | TrackBack

"Políticos têm tratamento diferente"

Para Souto Moura, o Estado de direito só será uma realidade em Portugal quando um político for tratado perante a justiça como um simples cidadão. O procurador-geral da República alerta ainda para a «grave tentação» de politizar a justiça. In TSF no SAPO
E eu acho que todos os cidadãos deste pobre país deveriam ter o tratamento concedido a Paulo Pedroso. Aí sim, o estado de direito sería uma realidade em Portugal.

Publicado por chibovelho em 12:36 AM | Comentários (3) | TrackBack

outubro 09, 2003

A Cruzada da TVI

Este Chibo ouviu a (ia chamar-lhe a peça jornalística mas arrependi-me) peça sobre Paulo Pedroso (PP) na TVI (Jornal da tarde). A apresentadora apresenta o tema já batido da libertação de PP com 2 convidados em estúdio. O mais que conhecido Pedro Namora e a jornalista que coordena a investigação sobre o processo “Casa Pia” e da qual não fixei o nome (peço desculpa mas o peso dos anos...).

Quero começar por dizer que condeno e abomino qualquer tipo de crime e ainda mais (por ser pai de 2 cabritinhos) a pedofilia. Mas que também condeno e abomino o princípio assumido por muito boa gente de que acusado é igual a culpado. Acredito profundamente na presunção de inocência, que qualquer, e sublinho qualquer, acusado é inocente até se provar, concludentemente e sem qualquer margem para dúvida, o contrário. Portanto, encontrem-se os culpados e condenem-se severamente. Posto isto...
Agora, e depois de PP ter sido libertado da prisão preventiva (não da acusação) e a Relação ter batido forte e feio no Juiz Rui Teixeira e na acusação (levantando suspeitas à forma como foram deduzidas provas o que só virá a beneficiar os verdadeiros culpados), vejo a TVI através do seu corpo jornalístico “correr em frente” (como um bode que eu conheço que baixa os cornos e arremete cego de fúria) seguindo a táctica que a melhor defesa é o ataque, em vez de parar para pensar e arranjar uma nova estratégia de investigação e que melhor servisse os seus interesses. Então, e para esse ataque quase suicidário, chama Pedro Namora para comentar (com quem simpatizei no início deste processo mas que cada vez mais me parece à procura de reconhecimento pessoal e fama, tão ao gosto da TVI) e dar uma nota emotiva e contrária à decisão da Relação (apesar dos protestos de confiança na justiça) e insinuando que estes tinham sido pressionados e implicitamente a pressão funcionou. E questionou/acusou de ter sido uma saída orquestrada (“se tinha tantas saudades porque não foi logo para a família em vez do parlamento” mais ou menos isto foi o que disse com uma ponta de ódio a perpassar-lhe na voz), tudo servia para minimizar o que para mim é essencial: terá havido uma conduta da acusação e juiz para com Paulo Pedroso, que no mínimo seria incorrecta, tendo sido reposta a legalidade.
Do outro lado da mesa está então a coordenadora de investigação da TVI que, sem provas visíveis ou sustentáveis do que afirmava, dispara que há actividades de bloqueio dentro da Casa Pia que estariam a travar toda a descoberta da verdade e que agora ganhou força com esta decisão judicial. A seu ver, a Catalina Pestana estaria rodeada ainda de amigos de “pedófilos” que estariam a pressionar os jovens a não falar e a descobrir quem já tinha falado para os fazer calar. Dando de barato que realmente haja essa tentação em alguns, é muito mais fácil agora desmascarar esses “seres pressionantes” e se a TVI é tão “boa” neste aspecto do que está à espera para denunciar?
Este caso deixou de ser uma solução para as vítimas para passar a ser uma arma de arremesso entre inimigos, forma de ganhar visibilidade e molde de artimanhas políticas.
Se isto não parece uma cruzada que avança e ataca tudo e todos os que lhes apareçam no caminho, baseado na sua grande parte somente em fé cega e determinada, então não sei o que será.

Publicado por chibovelho em 04:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 08, 2003

Uma pergunta

"“Beleza”? Num livro que explora exactamente a falta de beleza, a aridez, onde nada aparece como belo – paisagens desencantadas, personagens gastas, envelhecidas, no limite da fealdade física – é assim que Lucy , a filha da personagem principal David Lurie – é descrita. Tocada por uma certa fealdade, feiosa, como uma palavra terrível diz em português. . " in Abrupto

Caro Abrupto, e não será a falta de beleza uma beldade em si própria? Poderá não ser belo a total falta desse atributo? O que a Lucy não tem? A beleza ou olhos que lha dêem? Afinal há tanta gente que acha estético a austera e despida ausência da formosura.

Publicado por chibovelho em 06:47 PM | Comentários (0) | TrackBack

Em tempos de crise, é bom pensar...

Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o agricultor e sua esposa a abrir um pacote. Pensou logo no tipo de comida que poderia haver ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da quinta advertindo todos: Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!!! A galinha, disse: Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco e lhe disse: Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!!!
– Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranquilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.

O rato dirigiu-se então à vaca. Ela lhe disse: O quê Sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não. Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do agricultor.

Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando a sua vítima. A mulher do agricultor acorreu para ver o que havia na ratoeira. No escuro, ela não viu que a ratoeira havia apanhado a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher... O agricultor levou-a imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.

Todo a gente sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O agricultor pegou na sua faca e foi providenciar o ingrediente principal.

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o agricultor matou o porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O agricultor então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

É bom lembrar que, quando há uma ratoeira na casa, todos correm riscos.

Está é uma história que achei muito significativa e que não me canso de contar no meu trabalho. Queria referir o autor para a chapelada devida mas desconheço-o.

Publicado por chibovelho em 12:53 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 06, 2003

A inteligência mora ao lado

Andei a ver os outros blogs. Mormente aqueles de gente que conheço por se darem a conhecer. Os ditos famosos. Famosos não, que esta palavra anda carregada de sentido pejorativo ultimamente. Os que nos são apresentados pelos média como comentadores e supra sumos da inteligência.

E eu que já os lia nos livros e nos jornais, fui confirmar na teia aquilo que já sabia. Estas pessoas exsudam sabedoria e bom senso, ia dizer por todos os poros mas não os conheço pessoalmente, por todos os dedos com que batem nas teclas do computador. É enriquecedor lê-los nestas prosas, a maior parte delas sem os espartilhos impostos por layouts ou temas da semana na televisão. Até redescobri um amor/desamor de alguns anos atrás, O MEC já aqui referido. E espero que o JPCoutinho esteja disponível brevemente para poder também remexer a minha adrenalina e a minha bílis.
Há em mim uma compulsão para os autores de direita apesar de pensar o contrário na maior parte das vezes. Tenho mesmo um amigo que diz que, o que me impede de ser verdadeiramente de esquerda é gostar de ler estes “criativos da trilogia liberalista” (palavras dele que eu ainda não descortinei, empanquei na trilogia pois pensei nos 3 f’s e apenas tive como resposta um abanar de cabeça condoído).
Mas isto tudo para dizer que me senti tão pequenino que comecei a pôr em causa a existência do meu blog. Este chibo sentiu-se como se lhe tivessem mirrado os frondosos cornos, e logo quando os começava a exibir de forma tão altiva e altaneira. Depois de ter lido e saboreados tão insignes sábios da intelectual portugalidade simplesmente desliguei-me da teia.
Fui para a casa de banho e aí entregue aos meus pensamentos e demais obrar pensei no que faria no futuro próximo. Pensei que nem a leitura sadia d’A Internet para as domésticas - JÁ mais tarde na noite me deixaria mais conformado. Aí está um blog que ombreará sem desprimor junto de tão notáveis bloguistas e ainda não bloguistas. Eis senão que lá encontro a resposta: “(…)Ninguém quer ser só povo.(…) Se formos todos Primeiras Figuras, quem se senta na plateia para nos aplaudir? (...)Pois eu cá gosto de ser povo, arraia-miúda! Só quero ser famosa dentro da minha casa: famosa pelos meus pitéus, os meus vasinhos de flores, por tratar bem o Arnaldo e a Cèlinha, e ser uma dona de casa assim-assim que sabe fazer um vinco numas calças e passajar umas peúgas. E somos todos amigos e fãs uns dos outros! E amigos dos nossos amigos, e pessoas simples e sem cerimónias nem tremeliques.”
Obrigado Dona Vi por ter reposto algum juízo e sentido da realidade nesta cabeça dura e pouco habituada a estas marradas virtuais. Este Chibo Velho por momentos julgou-se uma prima-dona.

Publicado por chibovelho em 09:52 PM | Comentários (1) | TrackBack

E agora algo completamente diferente...

Morreu o Sexo. Meu Deus. Nunca pensei dizer isto na minha idade. Honestamente esperava que durasse ainda alguns anos. Mas morreu. Hoje. E logo hoje que tinha sonhado tantas coisas com ele. Para ele. Por ele. Nada há mais angustiante do que ver algo que nos é querido partir. E quando é algo de que necessitamos tanto. Nem sabem. Imaginam talvez. Viram a cara cheios de horror.

Quando estava mal com a vida lá vinha o Sexo. E eu acalmava. Quando andava mais nervoso por algo que poderia correr mal, chegava a casa e o Sexo acalmava-me. Nunca me cansava do Sexo. A minha mulher até dizia que era demais. Que devia deixar descansar o Sexo.

Ai Sexo, Sexo, meu cachorro de muitas brincadeiras. O que nós gozávamos com o nome. E este deixava toda a gente boquiaberta quando o ouviam pela primeira vez. Depois as pessoas começaram a habituar-se ao Sexo e já ninguém brincava com ele. E ele ressentia-se. O que é perfeitamente normal.
Agora que venham queixar-se que o Sexo já não brincará com eles.

Desprezaram-no durante tanto tempo e só agora que morreu é que se vão lembrar com saudade. E vão suspirar e lamentar-se do que perderam ao não brincar com o Sexo enquanto podiam. É bem feita!

Publicado por chibovelho em 09:03 PM | Comentários (0) | TrackBack

outubro 05, 2003

O sermão

Fui à missa. Quando era novo era crente, tinha uma fé inabalável em Cristo. Ele que tudo sabia, que tudo via e que tudo podia prover. Sentia-me em segurança quando a minha avó dizia “vai com Deus”.

Com o crescimento essa crença foi esmorecendo, e quanto mais a fé rareava mais eu conversava com Jesus, mais lhe fazia perguntas. Menos ele me respondia. Era como uma relação à distância. Eventualmente teria de acabar. E acabou. As minhas perguntas ficaram sempre sem resposta. Olhava para o divino e via o profano. Grande invenção esta. O divino foi inventado pelo profano. Queria encontrar Deus e apenas conseguia ver o Homem. E não pensem que estava pior, antes pelo contrário. Consegui perceber que Deus somos nós, a humanidade. A fé que devíamos ter em nós é dirigida a algo que inventámos para ter algumas respostas ainda não encontradas. Bem sei que haverá muita gente que não concorda e até repudia veementemente o que escrevo. Paciência.

Mas estava eu a dizer que tinha ido à missa. Fui porque me apeteceu. Para perceber se tinha havido mudanças. Porque sim, que estas vontades não se explicam. E lá estava o ritual, igual, de certa maneira aconchegante porque reconhecido. Os cânticos, os murmúrios, as rezas compassadas ao ritmo do padre. E o sermão. Meu Deus, o sermão, a prática em que um homem tenta pôr em palavras o bom senso para ser seguido. E toda a nossa sociedade lhe sai pela boca, com o seu melhor e o seu pior. As mulheres que foram concebidas da carne do homem não são diferentes. São especiais, que merecem a nossa protecção. Para isso existe o casamento que é um dos pilares da família. E é a família a instituição que deus mais gosta. Foi por ela que o messias desceu à terra. Foi esta a ideia geral. E todos aqueles que eu espreitei abanavam a cabeça a assentir.
Afinal tudo tem resposta. O sagrado desta situação é o laico de todos os dias. A igreja que temos é o espelho da nossa sociedade. O rebanho e os pastores. Quem manda e quem obedece. Cegamente. Sem discutir, acriticamente. E nesta terra de cegos que tem um olho é rei e quem se acomoda vive uma vida descansada. E o que a maioria quer é descanso, um apartamento, um carro e dinheiro para gastar nos centros comerciais.

Tenho de urgentemente ir para eremita. Ou então para padre, sempre há mais regalias.

Publicado por chibovelho em 11:02 PM | Comentários (1) | TrackBack

Humm?

Hoje não vi televisão, não li jornais, não ouvi rádio. Não sei quem foi demitido, expulso, treslido, ameaçado, gozado, incensado, eleito, e mais que queiram acrescentar a esta lista. Sinto-me hoje ao fim do dia como Adão se deve ter sentido momentos após ter sido criado. Pasmado.

“O que é que é isto? Quem sou eu? O que faço aqui?” - deve ter pensado. O que me faz realmente espécie é que ainda hoje sofremos desse pasmo. Nas canções, veja-se o Paulo de Carvalho a cantar a interrogação “o que faço aqui”. Na política e administração da coisa pública esse pasmo é geral e, acrescento cheio de preocupação, militante. Nas letras e ciências é terreno que adubado frequentemente nos dá algumas achegas à pergunta primeva “é isto a vida?”, mas depois se perde em considerandos e quando topamos com a resposta já não nos lembramos do porquê dela e ficamos atordoados a olhar para um corpo estranho a nós.
Mas pasmo é sinónimo de assombro, o que quer dizer que enquanto formos capazes de tal a vida tem esperança. Lembrem-se, foi o assombro que fez desenvolver as ideias e os inventos mais simples em algo mais belo. Que transcenderá sempre a própria utilidade.

Errata: Mea culpa. Obrigado Dona Vi pela correcção. Este Chibo foi-se deitar com um pequeno incómodo a pesar. Adivinhava algo menos certo. E realmente eu tinha a música na cabeça e as imagens que me vinham à memória eram as do Fernando Tordo na "garraiada". Bom, engano desfeito. Uma vénia e um ósculo respeitoso não vá o seu Arnaldo ficar ciumento.

Publicado por chibovelho em 12:09 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 03, 2003

Sim Senhor Ministro

Ainda pensei em comentar e fruir a situação dos Ministros apanhados em pleno acto de “cunhice”. E depois lembrei-me que se fossemos nós faríamos exactamente o mesmo.

E faríamos exactamente a mesma cara séria e reafirmaríamos a nossa idoneidade e daríamos a nossa palavra de honra que nunca tinha sido a nossa intenção quebrar qualquer código de conduta, que tinha sido tudo feito com lisura. O problema deles é que são como nós. Não vale a pena estarem a disfarçar. Se bem me lembro, o Miguel Esteves Cardoso publicou um texto (que eu tenho pois comprei todos os livros do MEC, bendita meia idade, só não sei onde os guardei) que falava na “cunha”, mas o que melhor me lembro e na altura me divertiu era a “culambice”.

E depois lembrei-me daquela série fabulosa “Sim Senhor Ministro”. Como é que eles resolveriam esta situação? Digam de vossa justiça e digam lá se a realidade por vezes não é mais divertida que a ficção?

Publicado por chibovelho em 11:26 PM | Comentários (1) | TrackBack

O Ser e o Estar

Eu Benfiquista me confesso. O que antes era natural no meu benfiquismo, porque apenas epidérmico, tornou-se hoje em dia sinónimo de transcendência. Chega quase a ser religioso, de um fanatismo atávico. Como eu compreendo hoje os cruzados, a sua necessidade de se imporem, de tentarem definir pela força o mapa da alma dos conquistados.

Não me chega hoje ver o SLB conquistar, preciso de o ver impor a sua inductilidade (firme e hirto como uma barra de ferro, diria outro), traçar nos adversários a tábua dos seus feitos. Mas esbarro-me com a inexorabilidade do presente.

Com a impassibilidade do ser versus a emotividade do estar. No primeiro cabe o Benfica, estóico, imperturbável no seu caminho para o niilismo. No segundo cabem os associados e simpatizantes do Glorioso (vejam como a semântica muda) na sua constante agitação. Como diriam os nossos adversários: “Estão que nem podem!”.

E tudo isto me ocorreu ao ler “Campeões. Que pena tenho de não termos, ontem, perdido com o Real. Enquanto sentirmos as estrelas como algo que está por cima de nós, não possuímos, ainda, o olhar do homem que sabe. Frederico” no Blog Nietzsche & Schopenhauer.

Publicado por chibovelho em 07:04 PM | Comentários (0) | TrackBack

O Olho

Tenho um olho em casa. Sempre atento e, caso paradoxal, tentacular. Envolve-me, dança e volteia ocupando todo o espaço que me rodeia. Segue-me por toda a casa.

Lá está ele no quarto. Fujo para a casa de banho. É o único lugar que ainda respeita. Por enquanto. Os que me acompanham fingem ignorá-lo, mas ele lá está, rondando como o Monstrengo do Pessoa, que do mar 3 vezes se ergueu. Bem que eu queria dizer que não, que basta. Mas não posso. E não quero, afinal não fui eu que pariu o olho. Filho da. Ou do. E o maior problema é que não consigo comunicar com os outros. Eu bem que tento chegar aos meus camaradas de jornada. Ou eles são surdos ou então são incapazes de comunicar. Eu bem os ouço grunhir uns com os outros. Mas não parecem entender-se. Vivem para se alimentar. Como irei eu expor o que sinto? Nenhum deles me entende. De vez em quando soa uma voz feminina lá do alto. Dá uns risinhos histéricos e põe todos os que cá estão em alta produção de adrenalina. Dá para sentir o cheiro das feromonas a serem exaladas. Tornam-se quase animalescos. O que torna a tal voz ainda mais histriónica e nota-se uma satisfação viperina e sexuada nos timbres.

Bem, está na hora. Tenho de ir fazer mais um xixizinho e ver se estes seres para mim já cada vez mais estranhos conseguiram colectar algum alimento para eu repor os meus níveis de energia. Ufa, vida difícil!

Diário de uma porquinha no BB

Publicado por chibovelho em 12:42 AM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 02, 2003

A Ronda das Mafarricas


musica de Zeca Afonso
letra de António Quadros (Pintor)


Estavam todas juntas
Quatrocentas bruxas
À espera À espera
À espera da lua cheia

Estavam todas juntas
Veio um chibo velho
Dançar no adro
Alguém morreu

Arlindo coveiro
Com a tua marreca
Leva-me primeiro
Para a cova aberta

Arlindo Arlindo
Bailador das fadas
Vai ao pé coxinho
Cava-me a morada

Arlindo coveiro
Cava-me a morada
Fecha-me o jazigo
Quero campa rasa

Arlindo Arlindo
Bailador das fadas
Vai ao pé coxinho
Cava-me a morada

Publicado por chibovelho em 08:04 PM | Comentários (1) | TrackBack

É circular, é circular...

É ou deveria ser considerado um crime circular nas nossas estradas. Quem pusesse um pé dentro de um carro, mesmo que fosse para ouvir o relato da bola, deveria ser posto em prisão preventiva e desinfestado de toda a bicharia possível e imaginária. Quem ousasse circular numa estrada, por mais secundária que fosse, deveria ser imediatamente posto sobre o cuidado de sodomizadores profissionais ou do Costinha do FCP, o que chegasse primeiro.

Quem suspirasse sequer pela hipótese de uma ida ao Algarve ou à mercearia a 100 metros à frente dentro de um bicho metálico com 4 ou 2 rodas deveria ser internado num hospital psiquiátrico e submetido a uma lobotomia ou um encontro com o jet7 nacional. Pensando melhor a lobotomia é menos traumatizante.

Mas porque tanto marra este chibo velho com quem circula? E o problema é mesmo esse. Hoje toda a gente circula. Não para ir do ponto a ao ponto b. Mas para circular. E como toda a gente sabe, ou deveria saber, circular é ir a lado nenhum, é andar aos círculos. Quando a polícia no meio de um acidente manda “faxavor, é circular, é circular!” apetece logo sair do carro e dar umas “circuladas”, ou então mandar uns piões e mandar com gases de escape no fácies do dito agente. (um aparte: e um outro agente da GNR que indicava a um condutor a tentar estacionar: “Avance para trás, mais um bocadinho, avance para trás!”)

E depois toda a gente se queixa. Se fosse proibido circular é que este país andava para a frente.

P.S. Ó Dona Vi, o melhor mesmo e para honrar o Pinto Coelho (obrigado moço pelo quanto aprendi contigo) era dar o bilhetinho à volta ao mundo ao Ministro Sarnento, perdão, Sarmento, e sem data de regresso.

Publicado por chibovelho em 05:49 PM | Comentários (1) | TrackBack

outubro 01, 2003

Comecem as cornadas...

Dalguma coisa hei-de falar. Andava para aqui a ruminar e como já vi passar muitos cornos pela frente achei que poderia dar a minha achega. Afinal a chibo velho muitas cabras voltearam e eu já tive a minha dose. De muita erva já senti o cheiro e ruminei. Não há assunto que não assunte. Afinal sou um chibo português. Como cá se diz: de médico e de chibo todos temos um pouco. Tenho cornos duros para enfrentar o que me resta de vida e minha carne é dura e já pouco apetecível.
E como Chibo Velho assiste-me o direito de cornear...

Publicado por chibovelho em 11:36 PM | Comentários (1) | TrackBack