novembro 23, 2003

O meu PC morreu

Posto de de um pc de um amigo. Mais tarde virei para continuar a marrar...

Publicado por chibovelho em 03:10 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 11, 2003

Mais palavras para quê?

É este o nosso país. Vou ficar à espera dos comentários das nossas iluminárias. As nacionais e as bloguísticas. Ou se calhar vai tudo ficar muito caladinho. E viva o orçamentozinho, o governozinho e por tabela a opoziçãozinha. E não vou escrever mais se não ainda me sai um P&%$ q*# P*#$% esta M#$%& de paízinho!

"O estudo realizado pela Fundação Europeia de Formação, referente a 2001, revela que em Portugal apenas nove por cento da população termina o ensino superior. Já os futuros membros da União Europeia têm uma percentagem média de licenciados de 13,9 por cento. "
"Os números mostram que apenas seis em cada mil portugueses, entre os 10 e os 29 anos, terminaram uma licenciatura em Ciência e Tecnologia."
"O cenário torna-se mais dramático quando se passa pelos números relativos ao ensino secundário. No nosso país, apenas 19 por cento terminou esta fase da escolaridade. Olhando para os valores dos países candidatos nota-se que a diferença é bastante considerável: 77 por cento concluiu o 12º ano. "
"Portugal está também no fundo da tabela quanto à capacidade de compreender, ler e escrever um pequeno texto sobre actualidade."
"O nosso país surge apenas a liderar a lista do abandono escolar"
"O Diário Económico mostra ainda que os números não são explicados pelo investimento, já que Portugal canaliza 5,7 por cento do Produto Interno Bruto para a Educação. Este é, inclusive, um valor superior à media europeia, situada nos cinco por cento." (SIC online 11.11.03)

Publicado por chibovelho em 09:05 PM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 09, 2003

Como eu concordo...

Deixo aqui um texto do Rui Tavares do Blog Barnabé. Pensei em apenas fazer um link, mas que perdoe o autor prefiro transcrevê-lo na íntegra. Porque eu também sou um de 5 filhos e se não fosse a gratuídade do ensino superior não tinha passado do ensino secundário. E comigo os meus irmãos, amigos (a maioría) ou vizinhos. Obrigado Rui:

Gratidão e mérito
Quando eu ouço gente bem-intencionada, uns mais outros menos, de direita e até de esquerda, muito preocupados com o egoísmo dos estudantes que não querem pagar propinas e assim não permitem trazer justiça social para o sistema de Ensino Superior, a primeira coisa que eu penso é: mas quem lhes encomendou o sermão? Eu, irmão mais novo de cinco licenciados, todos filhos de um casal de camponeses migrantes do Ribatejo, ela com 3 anos de escolaridade, ele com seis, é que não fui de certeza. E nos dez anos que levamos de questão das propinas, nunca ouvi ninguém de classe baixa ou média-baixa pedir que os seus colegas mais abonados paguem propinas. Só quem se preocupa com isso são as nossas boas almas das elites com "consciência social".

No meu caso, a razão é simples: gratidão. Pode dizer-se de tudo (e normalmente diz-se) do ensino pós-25 de Abril. Que é mau, que seja o que vocês quiserem. Aquilo que não se pode dizer é que ele tenha promovido a desigualdade social. Não é perfeito: mas não peçam aos pobres e remediados deste país que troquem a única coisa que funcionou para eles, por qualquer coisa que tem grandes hipóteses de vir a funcionar contra eles.

O Ensino Superior de propinas baixas permitiu dar uma machadada no apartheid social em que este país vivia. Isto é uma coisa pouco lembrada, mas geneticamente gravada nas memórias de gente como eu e muitos como eu. É verdade: para quem não saiba, antes do 25 de Abril vivia-se de facto em apartheid. Antes do 25 de Abril, um dos meus irmãos disse que gostaria de fazer medicina. Isto provocou escândalo e escárnio, com os patrões dos meus pais a avisá-los do ridículo que era deixar o rapaz ir para o Liceu, porque isso lhe podia dar mesmo ideias de que era possível entrar para a Faculdade. Quando eu ouço o argumento de que Portugal não pode ter só engenheiros e doutores, vejo que esta mentalidade ainda sobrevive, mais ou menos bem-intencionada.

O 25 de Abril e as propinas ridiculamente baixas inverteram esta situação. O meu irmão entrou em Medicina em 1975. Mas isto tem pouco tempo e não foi logo para toda a gente: só em 1990 entrou o primeiro jovem da aldeia natal da minha família, filho daqueles que não migraram, directamente para a Universidade. Hoje em dia, se ele quiser fazer o mestrado, a situação já regressou ao que era dantes. O mestrado para ele será um luxo. Os filhos dos colunistas com preocupações sociais fazem-no quando acabam a licenciatura. Ele, se o quiser fazer, vai ter de trabalhar durante uns anos, e depois partir atrasado, voltar a estudar mais velho, manter um emprego e o mestrado ao mesmo tempo. À atenção de quem acha que as propinas vêm nivelar o terreno de jogo: ponham os olhos nos mestrados, onde o contrário sucedeu.

Finalmente, o sistema do 25 de Abril, vilipendiado por todos os bem-pensantes, ensinava outra palavra que anda prostituída na boca de toda a gente: mérito. Trata-se do único sistema meritocrático que alguma vez tivemos no nosso país. As famílias já "participavam com qualquer coisa para os custos do ensino", como se diz. O acordo era este: nós [Estado] damos a Universidade, boa ou má, o que se puder arranjar. Vocês [cidadão] pagam todo o resto; alojamento, transporte, livros, etc. Os filhos da classe média-baixa e baixa sabiam as regras do jogo: tem boas notas, entra na Universidade Pública da tua cidade, e poderás fazer um curso. Se não, não.

Isto é pouco lembrado: os jovens que lá estão tiveram melhores notas do que os outros. Não merecem nada em troca? Então como poderemos ensinar-lhes o mérito? Quando o Prof. Sobrinho Simões, por exemplo, defende que as propinas em Medicina sejam mais caras para o curso ganhar qualidade, eu só me pergunto: então estes miúdos, pobres ou ricos [estou-me a cagar, como diria Ferro], que tiveram médias de 18 num país destes que tem falta de médicos, merecem pagar mais do que os outros?

Esta vai de raiva. Mas nada me irrita tanto como as boas intenções sociais (mesmo, e se calhar até principalmente, à esquerda) quando elas vêm envoltas em tanto raciocínio confuso. E nestas alturas, nada me dá tanto orgulho como ser filho do 25 de Abril.

Publicado por chibovelho em 12:18 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 07, 2003

Coisas...

Estive uns dias sem vir aqui pois às vezes as linhas da internet fazem destas coisas. E às vezes é a minha mulher que as faz, basta ler o postado por ela. O que me vale é que a continuo a amar apesar de ela agora querer que eu lhe explique como funciona esta coisa de blogs. E eu, para ver se esta moda passa (e pelos vistos não vai passar que só agora consegui reganhar o controlo do meu pc, e já sei que amanhã vai ser dia de explicações sobre e-mails e como se enviam daqueles engraçados e venenosos às nossas amigas e de forma anónima) comecei a rededicar-me a um amor antigo. O meu querido e por estes dias muito abalado .
Não é que eu seja um fanático ou se calhar até sou, mas nunca me senti tão tentado a discutir tão empenhadamente os jogos, as tácticas, as jogadas, as faltas, as escolhas do treinador, as atitudes dos dirigentes, enfim, tudo. Mas descobri que não me posso fazer acompanhar pelo que os meus olhos vêm e o meu coração sente. Tenho de ter também ao meu lado, para utilizar como munições, um qualquer livro com todas as estatísticas, o que foi afirmado por sicrano e contradito por beltrano. Até as discussões que eram dos últimos redutos das paixões estão a mudar.
E o que é que vejo no meu ? Jogadores, bons na maioria, a jogarem com medo. Com medo de serem felizes. Com medo de fazerem coisas bonitas com a bola, aquelas coisas que achamos mágicas e que ele fazia na infância. E o que eu quero é essa magia. A magia da infância nos jogadores de bola. Que tenham gozo ao brincar à bola como faziam como eram miúdos lá na rua. Onde não tinham medo de falhar porque sabiam institivamente que havería mais oportunidades.
O que eu não quero é ver burocratas a jogar futebol, com tudo estudado e certinho. Para isso inventam-se umas máquinas, vestem-se-lhes uns calções e camisolas e programam-se para tal.
O que eu quero mesmo é ver seres humanos a jogar à bola. E isto aplica-se a todos os clubes.

Publicado por chibovelho em 11:49 PM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 04, 2003

Evolução

O meu mais que tudo ao andar para velho tem destas coisas. Pensamos nós que evoluímos com o passar dos anos, mas vai-se a ver... Até já dou por mim a falar com o meu Chibo como a D.Vi com o seu Cocó. Só que este ainda responde... agora o meu Chibo enche a boca de erva tenrinha e moita carrasco.(como vai minha senhora? ainda pensei em ter ciúmes de si, mas ao lê-la muita paciência lhe admiro; não lhe bastava o seu Arnaldo e ainda ter que aturar toda esta gente...) Pois o meu Chibo evoluiu e temo que acabe assim:

Assinado: Maria Corriça

Publicado por chibovelho em 09:15 PM | Comentários (6) | TrackBack

novembro 03, 2003

Festa dos Velhos


Esta festa realiza-se todos os anos no dia de Natal em Bruçó. De origem pagã é o ultimo grito de resistência a uma cultura judaico-cristã numa aldeia/região que de Portugal só há muito pouco tempo aprendeu a reconhecer-se. Depois direi mais sobre esta festa.

Publicado por chibovelho em 10:56 PM | Comentários (0) | TrackBack

Anátema

substantivo masculino


1. excomunhão;

2. condenação;

3. maldição; imprecação;

4. reprovação; repreensão;


(Do gr. anáthema)

Mas quanto a vós, guardai-vos do anátema, para que, depois de o terdes feito tal, não tomeis dele coisa alguma, e não façais anátema o arraial de Israel, e o perturbeis. Josué 6:18

Publicado por chibovelho em 01:42 AM | Comentários (0) | TrackBack

novembro 02, 2003

Vinicius de Moraes (III)

E lendo ao sabor do autor vou encontrando pedaços de mim...

Decididamente

Decididamente, eu não sou gente.
Eu sou um ente incompetente, mal-acabado
Eu, infelizmente, não consigo sequer ser um mendingo
Dá tudo errado
Deus, quando me fez, devia estar muito invocado
Ganhou o campeonato de fazer nego sofrer
Urubu pousou na minha sorte
Eu nasci pra boi de corte
Deu cupim no meu viver

Sábado passado, quando eu vinha
Uma zinha "da pontinha"
Fez uma linda carinha para mim
Eu, aí, peguei minha pessoa
E fui andando para a boa
Na esperança de um domingo menos ruim

Pois, amigo, que é que você acha
Vou e levo uma "bolacha"
De um frajola que eu não sei de onde surgiu
E que, além de tudo, não contente
Me mandou apenasmente

Quando você está mesmo sem sorte
Nem a vida e nem a morte
Querem nada de saber de você, não
Você pode estar morto, defunto
E vêm os vermes todos juntos
Lhe pedir pra não seguir a refeição

Chega o dia e a vida está tão chata
Que você pega e se mata
Dá um tiro que parece de canhão
Mas a sua sorte é tão ingrata que ele sai pela culatra
Com licença da expressão

in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"

Publicado por chibovelho em 01:05 AM | Comentários (3) | TrackBack

Vinicius de Moraes (II)

É assim como um arrepio na espinha, como um sondar de alma...

Anfiguri

Aquilo que eu ouso
Não é o que quero
Eu quero o repouso
Do que não espero.

Não quero o que tenho
Pelo que custou
Não sei de onde venho
Sei para onde vou.

Homem, sou a fera
Poeta, sou um louco
Amante, sou pai.

Vida, quem me dera...
Amor, dura pouco...
Poesia, ai!...


Rio de Janeiro, 1965

in Livro de Sonetos
in Poesia completa e prosa: "Poesia varia"

Publicado por chibovelho em 12:45 AM | Comentários (0) | TrackBack

Vinicius de Moraes (I)

Em jeito de lembrança e porque recheia as memórias da minha infância:
A casa

Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Ninguém podia
Entrar nela não
Porque na casa
Não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque a casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na Rua dos Bobos
Número Zero.

in Poesia completa e prosa: "Poemas infantis"
in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"

Publicado por chibovelho em 12:28 AM | Comentários (2) | TrackBack

novembro 01, 2003

Bubendo pela bida fóra!

Sempre assim foi e por mais que se tente, para mudarmos as atitudes do nosso povo vai ser uma carga de trabalhos. E não é com leis repressivas que lá vamos. Ora leiam a conversa que ouvi ontem numa padaria/bar/pastelaria numa vila transmontana:

- Tabáber que num parábamus. Tába cácuma cheede!
- Berdade carálho! Inda iamus de tchabes a bilareal chem parar! Eintigamente dába mais teempo prá biaje. Manda lá bir carálho!
- Toucácuma cheede pá, mas echtou de condutor. Che beibo áclól a brigaida fódeme.
- Num seijas pandeleiro carálho, manda bir qeu pago!
- Pagach a multa cabrão. Qéquequéres?
- Pramim um bagacho e um café!
- Um bagacho e um café e pramim...
- Fooda-se!... (irritado com a exitação do amigo)
- Num pocho buber áclól caralho.
- Manda lá bir caralho!... Ólhá chenhora à espéra.
- Tábom. Quéro uma bubida lebezinha. Ólhe, uma bubida de martine cum cerbeja prá biaje!

E assim vai o mundo!

Publicado por chibovelho em 12:28 AM | Comentários (1) | TrackBack